Poesias - Que assim seja
 
 
 
QUE ASSIM SEJA

 

 


Era uma tarde calma sentia a brisa na alma
O céu, sem nenhuma vergonha, se abria num azul unicor, 
sem nuvem para cobrir seu pudor
Os sons sumiram de meus ouvidos,
apenas a música sem mais ruídos
Esta música me trás... me trás... a paz?

Não sei se fechados ou abertos 
meus olhos estão mais despertos
pareço escutar nas folhas da árvore o roçar
contando histórias de velhos contentes
de quando eram apenas sementes. 
Flutuava risonho pelos caminhos do sonho?

No céu, um facho de luz brilha e rebrilha.
Com suavidade uma voz de meia idade...:
Filho, para ti, o que é felicidade?
... é este momento, este sentimento
que sei me trará saudade.
Esta sensação de eternidade, posteridade.

Filho, faça um pedido que serás atendido!
Pedido? Assim de supetão... sei não.
Deixa eu colocar os pés no chão e respirar

A paz? Já tenho - de vez em quando-
dei a mão a coragem para não ficar na margem
e mergulhar na imensidão do mar,
nos caminhos da vida nos mistérios do amar!
Não quero a paz de criança dormindo
ou de flores se abrindo.
Mas, a pureza da paz após a plenitude do
orgasmo, suado, cansado estirado no remanso
do descanso daquele corpo amado.
Mais? Já tenho senhor a minha paz.

Felicidade? já tenho - de quando em vez -
Chegar do trabalho, obrigação cumprida
tarefa vencida, cabeça erguida a família unida
na promessa antiga que na união se fez.
O pão à mesa, o sorriso na face, o enlace
do abraço da amizade com saudade.
Ter amigos honestos que perto ou longe que
as vezes me ouvem como um monge e outras
me ensinam como pai o caminho do Adonai.
Mais? Já tenho senhor, minha felicidade.

Mansidão? Já tenho - de quando em quando -
Na ética, na esperança, na fé, na dignidade.
Na ternura sem amargura, na emoção, 
na compreensão, no clamor... no amor.
Não quero a mansidão do cordeiro, ordeiro
Mas, a mansidão do Leão com a fome saciada
a família protegida a fêmea acarinhada.
Mais? Já tenho senhor, minha mansidão

Grato pelas ofertas mas, por favor 
deixe as portas abertas.
Talvez algum dia se vier a calhar
eu venha a precisar.
Mas, no momento, senhor me deixa passar
este amor, esta suavidade, a melodia 
sem a nostalgia de um rei
Já que tudo que me foi dado eu dei.
Que assim seja.


 
Jorge Reigada
21 de Abril 2002
09:58
 
 
by neusa - maio/2002
 
 
Livro de visitas
 
 
 
página inicial
 
 
índice