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BOLERO
Nem
a tua mão na nuca
ou
o sussurrar no ouvido
conseguiram
abafar
meus
devaneios.
Enquanto
o bolero tocava
tua
doce presença conduzia-me
à
dor de saber
que
meu par
nunca
existiu.
Teimosa,
insisto
em não ver-te
e
esperar pelo que não vem
até
a música acabar.
LÍLIAN
MAIAL
PELO
PRAZER DE UMA DANÇA
Por
quem reclamas ?
Será
que por conta
Dos
muitos enganos ?
As
vezes o amor acontece
Sem
promessas nem planos,
As
vezes é amor indecente,
Que
brota abusado e envolvente,
Na
verdade incoerente,
Sem
razão nem porquê,
Pura
paixão !
Que
nos toma corações e mentes
Nos
faz ir as alturas
E
depois se vai...
Sem
ao menos se despedir.
Ficando
apenas a lembrança
De
uma doce e suave fragrância
De
uma música, de uma dança
Que
deveria ter sido plena,
Mas
que por força dos teus devaneios
Não
ousastes perceber.
NALDOVELHO
VALSA
Talvez
eu seja daquela época
Em
que o amor tinha comprimento
(Até
os joelhos)
E
enrubescia a cada beijo
No
fundo
Vejo
que não passei
Dos
quinze anos
E
ainda aguardo-te
Perdida
no salão do tempo
Para
a valsa dos namorados.
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LILIAN
MAIAL
RITUAL
DO PRAZER
Notas,
compassos,
Harmonias
profanas,
Compor
um bolero,
Depois
uma valsa.
Só
assim eu te quero,
Sou
poeta e não nego,
Pois
assim eu espero
Invadir-te
os sonhos.
Passos,
abraços,
Teus
braços tão trêmulos,
Construir
uma dança,
Sentir
o teu corpo,
Movimentos
insanos,
Sussurrar-te
indecente,
Levar-te
a loucura,
Uma
nova viagem,
Teu
perfume, teu cheiro,
Tua
boca, teus lábios,
Aninhar-te
em meu corpo,
Pois
do teu aconchego
É
o que eu mais preciso e quero.
Colar
o meu corpo,
Ao
teu corpo macio,
Tua
pele é delírio,
O
calor das tuas coxas,
O
suor a brotar vadio,
A
denunciar-te o esforço
Ao
controlar-me os passos,
Mãos
dissimuladas
A
tocar os teus seios.
Já
é muito mais do que uma dança,
É
um ritual do prazer.
NALDOVELHO
SALSA
Um
perfil moreno na noite
Tão
próximo, tão quente.
Tua
mão na minha,
Tua
mão nas costas
Dança
sobre meus desejos,
Sussurros
de indecentes promessas,
Teu
quadril comprimindo o meu.
Viajo
no teu perfume,
Teu
cheiro,
Tua
boca.
Encaixo-me,
Quero-te,
Toma-me!
Cola
teu corpo,
Requebra
os delírios,
Deixa
escorrer
A
vontade nas coxas,
Respira
fundo
O
arfar de meus seios,
Morde
a orelha,
Roça
a perna
E
canta meu coração
No
compasso
Do
teu ritmo.
Tua
parceira
Na
salsa,
Na
valsa,
Na
falsa
Expectativa
Latina
De
durar
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LILIAN
MAIAL
QUE
SEJA EM VOCÊ
Minha
mão estremece
Ao
invadir-lhe o decote,
O
bico do seu seio
A
oferecer-se generoso,
Já
não sigo mais o ritmo
Enlouquecedor
do Caribe
E
o que chega aos meus ouvidos
É
suave e envolvente.
O
calor do seu ventre
Me
atraí feito um imã,
Pareço
desafiar
A
impenetrabilidade dos corpos.
Já
não consigo pensar,
Cada
vez mais em seus braços,
Misto
de fera e menino
Que
busca o carinho
E
ainda assim quer lhe devorar.
Se
a orquestra parar
Eu
não sei o que eu faço !
Continuo
em seus braços
A
espera de outra música,
Uma
que seja bem lenta
Para
que possamos continuar.
Ainda
bem que a penumbra
Tomou
conta do espaço,
Lá
fora um recanto
Algum
refúgio seguro,
Aonde
eu possa ousar atrevido
Desabotoar
seu vestido,
Beijar
os seu seios,
Molhar
os meus dedos
Em
seus mais secretos abrigos,
Não
vislumbro o perigo !
Quero
vê-la no orgasmo,
Sentir
o seu cheiro
E
aconchegar o meu ser
No
calor de suas coxas,
Beber
sedento o veneno
E
depois morrer,
Uma
pequena morte que seja,
Mas
que seja em você.
NALDOVELHO
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