Poesias - Longe de Você
 
 
 
LONGE DE VOCÊ

 

 
Longe de você
Todos os dias serão nublados,
Todas as manhãs serão cinzentas,
Todas as tardes sonolentas,
Todas as noites chuvosas
E as madrugadas barulhentas
Que é para não se conciliar
A insônia com o sono
E ao amanhecer com olheiras
Ficar patente o abandono
Que o poeta costuma viver.
Longe de você
A fumaça do cigarro se mistura
Com a poluição do ambiente
E o pulmão reclama doente
Por conta de um respirar afrontado
E de um bater de coração acelerado
Que só faz viver desanimado
Por não querer mais sofrer.
Longe de você
O que eu como, não saboreio,
O que eu bebo, se faz amargo
E o que eu cheiro, rejeito enjoado
E me dá um fastio danado,
Coisas de um apaixonado,
Destes que dá dó de se ver.
Longe de você
Todo o amanhã é passado
E passa assim tão calado
Que nem me dá a perceber
A vida que eu devia viver.
Longe de você
O violão coitado !
Não mais comigo se afina,
A poesia perde o encanto e a magia
Do novo, do surreal, do inusitado
E o que se vê é só lamento,
É solidão. é desentranhamento
De quem vive procurando um remédio,
Uma vacina, um antídoto para o tédio
De viver sem você.
Longe de você
Eu já não quero saber de outra dança,
Se alguém me convida, eu recuso !
Digo que estou cansado,
Peço licença e saio apressado,
Volto para o meu quarto tão frio
E deito assim solitário
Pedindo a Deus para parar de doer.

 
NALDOVELHO
 
by neusa - abril/2002
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