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Amor,
deixa-me ter-te, envolta em fantasia!...
Que
noite de luar! Um sonho do Levante!
Que,
doce, o rouxinol, apaixonado, cante,
oh
minha Sherazade, a lenda em poesia!
Nas
minhas veias, corre, ainda, o sangue antigo...
O
sangue de Abraão, de Agar e de Ismael...
Do
tempo que se foi ao tempo que me impele,
o
tempo é todo o tempo o sonho que persigo!...
Saudades
do deserto em ânsias ancestrais!
Areias
de onde vim!...
Planuras do Alentejo!...
Brancuras
de albornoz!... Alturas que eu invejo,
olhando,
deste chão, miragens fantasmais!
Amor,
deixa-me ter-te, envolta em fantasia...
Oh
Sherazade de alma, encanto e nostalgia!
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