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És
tão ousado,
quanto a ousadia,
poeta calado na poesia
desejando o verso
de alforria.
Escravo da palavra oculta
tuas sábias lições de amor
encerram tanto ardor
como a canção mais muda
entoada na noite escura.
Vadio cão nas minhas veias
o que me pulsa e repulsa
teu cheiro de perdição
me atrai fêmea e vulcão
em viagem nas estrelas.
Deixa meus cabelos e minha dor
que nada te ofereço
que já não tenhas.
Portanto, não me venhas
com manhas e canduras
que parte dessa loucura
é culpa tua
e dessa poesia.
Rasga meus versos e meu peito
arranca minha vontade
em carne viva
toma tudo o que tenho
e parte.
Vai, me ama e me trai
me invade e denuncia
a cama vazia
sem tuas rimas.
Não quero mais amar
Cansei do risco
eliminei do olho o cisco
e hoje enxergo a razão:
amar é só ilusão.
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