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Mandei
construir uma muralha,
Uma que fosse bem alta e de pedra,
Compacta e inexpugnável
E lá me abriguei em silêncio
Para viver bem protegido
De toda a tortura e delírio
Que o teu amor pudesse me trazer.
E por meu auto exílio e desterro,
Assim sitiado em meus medos,
Cultivei um jardim sem espinhos,
Com cães vigiando o meu sono,
Com trancas, janelas e portas,
Lençóis tão brancos, macios,
Aquecido no inverno do frio
E da inclemência da insônia insistente
Que e o açoite das noites de outrora
Costumavam me fazer sofrer.
Extraí de um veio água fresca e farta
Para que as flores pudessem ser únicas,
Especiais, sedutoras e em essência,
Toda a presença e ternura
Que eu fosse capaz de viver.
Só não consegui impedir a entrada
Do teu cheiro clandestino e vadio
Que pelo vento invadiu o meu quarto
A violentar e impregnar as narinas
E a me trazer de reboque a lembrança
Da tua pele, do teu rosto e do teu corpo,
A me fazer pronunciar em sonho o teu nome
E a rolar inquieto em meu leito
A não conseguir mais conciliar-me com o sono,
Por conta de tanto desassossego,
Do inevitável e do pesadelo,
Da saudade a brotar dos meus poros
E a teimar em inconvenientes suspiros,
Em lágrimas furtivas,latentes,
A denunciar o fim do exílio
Que ingenuamente eu construi por fraqueza,
Pois pela magia que brotou dos meus versos
E tomou conta dos meus dias e noites
Eu acabei por arrobar portas e janelas
Abrindo minha mente e o meu corpo
Para que tu pudesses se entranhar sem vergonha
E nunca mais ficar longe de mim.
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