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Vovô
Giordanno era pacífico por natureza.
Trabalhava
fora da cidade e chegava em casa à noite com
as costas envergadas, carregando
a sua maleta.
Quando sentávamos
à mesa para o jantar, ele habitualmente dizia
algo como: "— Alto barulho!" Eu não
entendia. Que alto barulho era aquele? Que
tipo de comida? Ou seria uma bebida?
Uma noite
tomei coragem e perguntei: "— Por que
vovô sempre diz ‘alto barulho’?"
Todos caíram na risada e disseram que não
era "alto barulho", e sim
"solta o bagulho". Era uma forma de
dizer que a comida era fraca e, de certa
forma, brincar com bisa, que era a cozinheira.
Aproveitei e
perguntei a ele a razão de gostar tanto de
asa de galinha, pois ninguém mais comia, além
dele. A galinha tinha coxa, peito, por que só
queria asa? Por que também comia sempre
banana de sobremesa, e não os quindins e
pudins de bisa? Então, ele me respondeu, com
a sua calma peculiar e ainda sorrindo:
"— Mas é o que me dão! Por isso eu
digo sempre: solta o bagulho!"
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