Recordar - A excursão
 
 
 
 
A EXCURSÃO

 

 
  
Há alguns anos eu e meu marido fomos fazer uma excursão para o sul do Brasil. 
Era fevereiro , uns 15 dias antes do carnaval e estava bem quente.  Pegamos o ônibus na Praça da República junto com mais dois casais de amigos. Logo fomos apresentados a todos que iriam conosco fazer a excursão. 
Rumamos para Curitiba, aonde chegamos às 14 horas. 
Todos sabem como é o ritmo de uma excursão. Uma verdadeira loucura... Hora para isso, hora para aquilo, tudo muito corrido, a fim de aproveitar o máximo dos passeios. 
Fomos jantar no bairro de Santa Felicidade, o que corresponde aqui em São Paulo o que chamamos de Colônias em São Bernardo do Campo. São restaurantes imensos, com muita música e animação.   Saímos do restaurante era mais de meia noite, cansadíssimos e doidos a fim ir para a cama. 
No ônibus, nosso guia avisou:  "Meninos e meninas, quando chegarem ao hotel, nada de” brincadeirinhas... é xixi e cama.... Amanhã, que já é hoje, todos no salão de café as cinco da matina, vamos para Paranaguá logo depois do desjejum. Pensei - “E quem é que vai querer fazer outra coisa?" 
Eu e meu marido estávamos num apartamento de primeiro andar, onde tinha duas camas.  Sou meio alérgica a ar condicionado e pedi para ele diminuir um pouco a intensidade do frio.  Tiramos nossas roupas, guardamos na mala, preparamos o que iríamos vestir para a viagem e nos beijamos desejando uma boa noite. 
Meu marido, que usualmente só dorme de cuecas, nesse dia de extremo calor, tirou a mesma , ajeitou o travesseiro ...Aí  falei  por brincadeira  :-  "Romualdo, acho que você deveria vestir a cueca... já imaginou se o hotel pega fogo?  Estamos próximo à cozinha e tudo pode acontecer..." 
Ele, já quase dormindo, grunhiu alguma coisa e caiu nos braços de Morfeu  mas quem disse que eu conseguia dormir...
A música do restaurante estava tão alta que ainda soava dentro do meu cérebro e eu ouvia: pum...pum...pum.... Além de tudo meu cansaço era enorme pois tinha dançado muito, sem estar acostumada. 
Lá pelas tantas, comecei a querer pegar no sono.  Meu marido também dormia um sono agitado... Lençóis e fronha , tudo fora do lugar. O pior é que ele roncava , assobiava , falava , pronunciando coisas desconexas.
Putz, pensei.... como vou dormir?  
Já bastante nervosa, pois estava chegando a hora de levantar, gritei:  "Romualdo...ó Romualdo...acorda".
Somente queria que ele se virasse e deixasse de roncar.  Para minha surpresa ele se levantou , sentou na cama e vestiu o que ele pensava que era a cueca....
Eu, fascinada, olhava para aquela cena, sem lembrar que tinha prevenido de que ele não dormisse sem aquela peça íntima. 
Em vez da cueca ele vestiu a fronha que estava quase solta do travesseiro.
Levantou e caiu sem nenhuma apelação.
Arregalou os olhos para mim e perguntou: "O  hotel pegou fogo?"   Bem, aquela noite fiquei sem dormir, mas sem rir...impossível!!!!  
 
Thereza Mattos Santini- SP
 
 
 
by neusa - janeiro/2003
 
 
 
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