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Era noite de verão. Em
volta de uma típica mesa de humildes
agricultores
do interior de São Paulo, início dos
anos 70, cinco crianças
acompanhadas de
sua mãe retiravam
grãos de feijão podres dos bons para
serem vendidos ou plantados. O pai, um moço
sonhador e lutador, descansava do seu pesado
dia sentado no batente da porta da frente
fumando seu
cigarro de palha olhando para a
perturbadora escuridão que cobria as imensas
plantações.
As crianças entre
uma briguinha e outra cumpriam suas
tarefas. Apostavam quem selecionava mais feijão,
um sempre
roubava do outro
aumentando seus montes
selecionados só para mostrar à mãe. Trabalhavam sem saber que aquele
trabalho estava roubando parte importante de
suas vidas.
Tudo estava , naquela
noite, mais ou menos dentro da normalidade dos
outros dias. A mãe que sempre cantarolava
suas músicas
da juventude, estava silenciosa, se
quer chamava à atenção dos filhos . Só se
preocupava quando um deles pegava a
velha lamparina que tentava clarear a sala.
Os filhos mais velhos,
13, 12 e 11 anos de idade, sabiam o
motivo daquele silêncio. Era puro medo!
Aliás todos andavam assustados há uma
semana, exceto o pai que, embora franzino,
passava sua força e coragem, típica dos
nordestinos, aos filhos e esposa.
Nada disso adiantava! O
medo estava presente em todos! Cada barulho
feito pelos animais noturnos era motivo para
os olhares assustados passearem
nos rostos de cada um e assim por várias
vezes. O trabalho tinha que continuar com o sem medo e todos voltaram a retirar os grãos podres
daqueles montes de feijão.
A lamparina
resistia ao sopro do vento e ao pouco
querosene. O cansaço era presente em todos.
Era hora de ir dormir. Justamente quando essa
palavra foi mencionada pela mãe o inferno
começou. Pisadas firmes, barulhentas
partiam da cozinha, passavam pelo
quarto e se aproximava da sala onde todos
estavam. Não tinha fim! Era uma eternidade
tudo aquilo! Ninguém sabia o que estava
acontecendo. Gritos , choros
se misturavam com aqueles passos
pesados, marcantes.
A mãe, protegendo seus filhos, chamava
por todos os santos. “ Pai Nosso que estais
no céu... Ave Maria cheia de Graça... Creio
em Deus ...” mas nada adiantava..... o
barulho dos passos continuava.... Todos
apavorados ,agarrados uns aos outros formando
um só corpo.
Quanto mais se pedia
aos santos, mas os passos aumentavam se
aproximavam. O pai continuava sentado
no batente da porta, mas
vendo todo o alvoroço
da esposa e filhos gritou:
_ Se for homem, passe
por debaixo das minhas pernas!
Pronto! Parecia ter
sido a frase chave para tudo aquilo
desaparecer deixando os choros, os gritos, as
tremedeiras em todos que amontoados num canto
da sala tentavam se levantar, mas faltava
coragem, forças nas pernas. O feijão a essas
alturas se espalhara por toda a sala. Ninguém
estava entendendo nada!
Aos poucos foram se
levantando, recuperando as forças das pernas
e pai
pedindo calma, pegando no colo
o filho
que chorava desesperado e pedia que
fossem dormir. Dormir?
Ninguém conseguia
dormir. O barulho não saia dos ouvidos. As
crianças ainda choravam em cima de uma só
cama. Naquela e outras noites que se seguiram,
o sono não
visitava ninguém e sim o medo de tudo voltar.
O que foi? Quem foi?
Difícil a explicação!
Todos das imediações
souberam
do fato e outras histórias apareciam
seguidas das mais variadas explicações, mas
nada que convencesse aos que passaram aquela
noite infernal.
P.S. Amiga, confesso
que estou arrepiado.......voltei àquela
noite.....parece que estou vivendo tudo
novamente.
Morávamos
num sítio em Luisiânia, cidade do
Interior de São Paulo. Os donos dos pequenos
sítios venderam
suas propriedades para grandes fazendeiros ,
então tínhamos que sair de lá; uns foram
para o então território de Rondônia,
desbravadores e nós e outros sem tantos
poderes aquisitivos ficamos morando lá entre
gados, plantações de capim entre as
plantações de milho, feijão....
Um dos vizinhos ( nesse
caso morava muiiiiiiiiiiiiiiiiito distante)
foi para Rondônia e lá em meio a floresta
Amazônica, morreu......dizem que foi uma
morte terrível....... Tão logo soubemos da
história, todos ficaram ao mesmo tempo com dó
e com medo, porque ele não era bem aceito
....Diz minha mãe que ela quando soube disse
a palavra " Coitado!" ( palavra que
nao se pode dizer quando uma pessoa morre
).................risos.....gargalhadas..........
mas são palavras da minha mãe que tbém está
rindo aqui do meu lado....... São coisas dos
interiores desse nosso mundão!!!!!!
A partir desse momento(
pronúncia
da
temida palavra), o tal senhor passou a
perseguir as pessoas e todo mundo passou a vê-lo
em todos os lugares........ e nós fomos os
privilegiados
com a FORTE presença
dele.........risos.
Estou rindo agora com
todo esse folclore....mas eu me lembro muito
bem dessa história.......... já a contei
para outras pessoas e me chamaram de
mentiroso......... , outros que tendem para o
lado espiritual, começa a explicar um monte
de coisas as quais não me interessam....
Usei a terceiraa pessoa
como fuga, mas poderia ser em primeira
pessoa...... essa história eu
vivi........tinha 12 anos de idade.
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