Recordar - Longe do mar
 
 
 
 
LONGE DO MAR

 

 
     
      Brincávamos de pique-esconde, baleia...
     Baleia, consistia em ficarmos nas calçadas, a baleia no meio da rua, esperando para agarrar a vítima, só então seria substituída! A rua era a metáfora do mar. O mar, algo que só existia no nosso livro de geografia.
     Pobres que éramos, nem o sonho de conhecer o mar passava por nossa mente.
     Quando peguei um trem, para ir à Guardinha com uma amiga, vinte quilômetros da minha terra, achei até longa a viagem! Que delícia! Ir vendo a paisagem, os cafezais, os animais pastando, os cachorros latindo do lado da maria-fumaça, que chegava e partia apitando e rangendo os freios nos trilhos do trem!
     Só vim conhecer o mar aos 28 anos. Quando me vi de frente para a Baía de Guajará, em Belém do Pará, aquele mundão de água, desembocadura do Amazonas e encontro com o oceano...chorei!
      Foi a sensação de encontrar o meu elemento base, o meu povo.  Meu coração sangrava de saudade da gente do mar, dos seus mitos. Tive a certeza que tudo aquilo me pertencia.
     Sou da Atlântida. E por motivos Kármicos estou longe do MAR!
     Hoje, quando tenho oportunidade de ir ao litoral, salgo meu corpo como  num ritual, cumprimento seus deuses, sua força, peço sua bênção orientação e proteção para minha vida.
     E, fico horas, olhando a bela linha do horizonte, contemplo a lua cheia, que nasce e vai subindo, subindo, como uma deusa, invadindo nosso espaços, mostrando a sua força, provocando a ira de Júpiter com sua beleza, silenciosamente !
 
 
 Margaret Pelicano
13.09.02
 
 
 
by neusa - novembro/2002
 
 
 
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