Recordar - Nossa vida - questionar? nem pensar!
 
 
 
 
QUESTIONAR? NEM PENSAR!

 

 
  
     Passávamos necessidades!
     Muitas vezes nossa comida eram as mangas do quintal, as limas, as jabuticabas...
     E olha!!! Éramos o galho torto de um tronco abastado. Uma Tradicional Família Mineira.
     Nosso pai, alcoólatra, numa época em que ninguém sabia que alcoolismo era doença, era mal visto. E como a gente era humilhada!
     Tadinho, no entanto, as fraquezas, as humilhações, nunca o tornaram mal, diretamente, para as filhas: Nunca nos encostou a mão!
     Minha mãe, sofrida, perdia a paciência conosco com freqüência. E numa cultura em que a mulher tem que ser exímia dona de casa, subordinada ao homem, uma cultura machista, essas quatro filhas penavam.
     Eu encerava um casarão antigo na base do escovão. Outra cuidava da faxina semanal na cozinha, areando os alumínios e escaldando com água quente, buscando o brilho da prata no alumínio, a terceira molhava e varria o imenso quintal. Toda essa organização, começava às sete da manhã e ia até às 19 horas.
     Sou  a primogênita. Mocinha, quando ia namorar, já nem sentia prazer nisso, tamanho o cansaço.
     Que época esquisita. Hoje sabemos que toda essa aprendizagem, nos fez aprender a administrar uma casa, cuidar e bem de nossas vidas e até a saber o que queremos e como queremos, ou seja, essas aulas forçadas de disciplina nos fortaleceu. Puxa, mas a custa de quanto sofrimento e silêncio. Sim, porque questionar....nem pensar!
     Apesar de tudo, às vezes penso que era, de certa forma,  feliz !!! Mas não sabia!                               
 
 
 Margaret Pelicano
13.09.02
 
 
 
by neusa - novembro/2002
 
 
 
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