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Para
quem tem tido a santa paciência de ler as
minhas histórias, pensará certamente que
hoje sou um homem perfeito e sem defeitos. Na
verdade eu sempre procurei viver o melhor possível,
em paz comigo mesmo, e nunca fazer nada que
pudesse aborrecer, fosse quem fosse. No
entanto nesta estrada da vida, que percorremos
diariamente sem nunca pararmos, acontecem-nos
certas “coisas” que mais tarde meditamos,
com as eternas perguntas: Porque fiz isto ?
Porque disse aquilo ?. Depois apercebemo-nos
que afinal de contas, não somos perfeitos.
Eu
recordo-me que um dia, talvez com a idade de
16 anos, o meu falecido pai, me chamou e
disse-me: Olha meu filho, se um dia eu te
encontrar com
“um copito a mais” não ficarei
contente, mas também não ralho contigo
porque eu, por vezes também abuso. No entanto
se alguma vez te encontrar a fumar, tu engoles
o cigarro, e saberás até que ponto me
decepcionaste.
Juro
que talvez por causas destas palavras, ou por
grande respeito ao meu pai, eu nunca fumei na
minha vida. Tenho até muita dificuldade em me
aproximar de alguém que fuma, pois que fico
com os olhos vermelhos e doridos. No entanto
em relação à bebida, aí já pequei algumas
vezes... não foram muitas, mas durante a
minha vida já aconteceu 5 vezes.
Se
eu pensar bem, e em relação à minha idade
atual, a média não é muito má, aconteceu
ficar “borracho” 1 vez de 11 em 11 anos.
Não
vou aqui narrar todas, mas apenas a última
vez, no entanto devo de avisar desde já, que
se tem o estomago fraco, não continue a ler,
porque o que fiz, vai certamente obrigar a que
você faça uma cara feia...
Penso
que foi talvez em Julho de 1976, o meu amigo
Alexandre, de origem portuguesa, mas tal como
eu, residente no Canadá, pensou em comprar
uma casa. A esposa dele, a Fernanda, tinha uma
colega de trabalho de origem polaca, que a
informou, que a casa ao lado dela estava à
venda.
Alexandre
pediu-me, se eu o podia acompanhar na visita
dessa casa, para eu fazer uma inspeção na
instalação elétrica, e assim o poder
aconselhar se estava em boas condições.
Combinamos
encontra-nos num sábado de manhã, e lá
fomos no carro dele, mas como ainda era cedo a
Fernanda aproveitou para parar num
supermercado, e comprar os gêneros alimentícios
para a semana. Ela comprou muitas coisas,
entre as quais muito yogurtes gelados e todas
as compras foram colocados em grandes sacolas
de papel, que por sua vez, foram arrumadas na
bagageira do carro. Depois dessas compras, lá
fomos os 3, visitar a tal casa, que hoje não
sei onde fica, mas de carro demorou cerca de
30 minutos até chegarmos lá.
Depois
da visita, e quando nos preparávamos para o
regresso, a colega da Fernanda, viu-nos, e
convidou-nos a entrar na casa dela para um
cafezinho. Devo de dizer, que apenas elas se
conheciam, nós os homens, foi o nosso
primeiro encontro. O polaco para ser agradável,
convidou-nos, a mim e ao Alexandre, a visitar
o bar que ele estava construindo no térreo (rés-do-chão),
e quis oferecer-nos uma bebida. Eu recusei,
mas o Alexandre aceitou; o polaco insistiu, e
eu para não ser desagradável lá fiquei de
acordo para tomar um pequeno aperitivo.
O
que eu não sabia era que o aperitivo dos
polacos é Vodka. Não sei quantas vezes bebi,
apenas me lembro que o polaco estava sempre a
encher os copos, depois levantava o dele e
dizia : “Násdróvia Páine” (penso que
queria dizer “Tim Tim”) e com estes
gestos, despejamos 2 garrafas inteiras de
Vodka, e isto sempre sem comer nada.
O
tempo passou rápido, não tínhamos almoçado,
e quando saímos de lá, depois da Fernanda
insistir não sei quantas vezes, já era de
noite. Cá fora, o Alexandre pôs o carro a
trabalhar, e lá vínhamos de regresso, sempre
o Alexandre a dirigir, mas a estrada, era toda
dele.... (Continua em Nasdróvia Paine II)
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