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Foi
então que a Fernanda se apercebeu, que o
marido estava totalmente bêbado, incapacitado
para dirigir. O próprio Alexandre compreendeu
o problema, parou o carro, e pediram-me para
eu dirigir... Euuuuuu,?
naquele estado ? Bem, pensei que talvez
fosse capaz, e sentei-me ao volante, apenas
com uma idéia fixa na cabeça... ir devagar,
e nos semáforos vermelhos, tinha que parar. E
lá viemos nós, o Alexandre passou para trás
e adormeceu logo, enquanto que eu tinha que
fechar um olho, para ver melhor.
A
certa altura, vejo uma luz vermelha, e eu
sabia que vermelho é para parar, até que
mude para verde. Ali parei, no meio da
estrada, á espera que os semáforos mudassem
de cor, mas achei a demora mais longa do que o
habitual.
Eu
ouvi buzinar atrás de mim, mas fiquei calmo,
apenas pensando... a luz há de mudar! ...
Não
sei quanto tempo ali estive, então a
Fernanda perguntou-me porque tinha
parado, eu respondi: estou á espera que as
luzes passem ao verde, então ela respondeu:
mas aquilo é apenas um anúncio da farmácia,
com luzes vermelhas.!
Desculpei-me
e avancei. Ninguém me pergunte por onde
passei, que não me lembro, mas felizmente não
houve acidente nenhum, e estacionei o carro
(um Ford Torino americano com uma frente muito
grande) próximo da casa deles, atrás de uma
igreja.
Fiquei
feliz de ter conseguido esta façanha, mas a
história não acaba aqui. O Alexandre tinha
adormecido e não queria sair do carro. A
Fernanda pediu-me ajuda, e lá o conseguimos
tirar. Depois o ajudei a subir as escadas,
(eles moravam num 1º andar)
Coitado
do Alexandre ele não se agüentava em pé e
fui eu que o despi, para se deitar, mas nesse
momento ele disse que estava mal disposto e
queria vomitar.!
Sem
perder tempo, levei-o para o banheiro, e mal
entramos ele abriu as guelas, e lá vai disto,
vomitou por todos os lados, antes de conseguir
chegar ao vaso sanitário.
A
Fernanda nem quis entrar para não ver aquele
triste espetáculo. É verdade que eu tinha
bebido bem, mas conseguia ter a noção do que
estava fazendo.
Quando
o estomago do Alexandre ficou vazio, eu
sozinho, lavei-o todo e tornei a levá-lo para
o quarto onde a mulher se ocupou dele.
Entretanto agarrei um balde com água e limpei
e lavei o banheiro todo
apanhando toda aquela porcaria que ele
tinha vomitado. O banheiro ficou impecável,
bem limpinho e desinfetado.
Quando
eu ia a sair, a Fernanda
pediu-me se eu podia ir buscar as
compras, ao carro. Mais uma vez aceitei, e lá
fui, mas quando, depois de abrir a bagageira
agarrei nas sacolas de papel cheias das
compras, a umidade dos yogurtes tinha molhado
o
papel, que facilmente se rompeu e as
compras caíram todas no chão, ficando eu
apenas com as sacolas todas rotas sem fundos,
nas mãos.
Apanhei
o que pude, mas lembro-me de dar chutes nas
embalagens dos yogurtes pois considerei ser
eles os responsáveis do que estava a
acontecer... claro que essas embalagens
rebentaram todas com o meu gesto. Depois de
entregar as compras, ou melhor, o que se
salvou dos meus pontapés, fui-me embora para
minha casa, que distanciava talvez 10 minutos
a andar.
Quando
lá cheguei tinha fome, mas apenas quis comer
sopa, e mesmo assim teve que ser com os dois
olhos fechados, pois as luzes, cada vez me
incomodavam mais. Seguidamente fui-me deitar,
mas tive que me segurar com muita força á
cama, porque o teto do quarto, não parava de
rodar numa velocidade louca.
Na
manhã seguinte quando acordei, estava com uma
terrível dor de cabeça, mas mesmo assim
comecei a relembrar tudo que se tinha passado
no dia anterior. Fiquei deslumbrado comigo
mesmo, eu, que o simples fato de pensar na
palavra vomitar, me dá certas voltas no estômago,
como foi que consegui limpar toda aquela
porcaria na casa do Alexandre?
Já
lá vão 26 anos que isto aconteceu, e desde
esse dia, não consigo beber mais do que
“uma certa conta” Apenas bebo durante as refeições, e somente
vinho tinto, embora por vezes, um
branquinho também me satisfaça...!!!
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