Recordar - Nasdróvia Páine - Parte II
 
 
 
 
NASDRÓVIA PÁINE  
 ( Parte II )

 

 
  
 
Foi então que a Fernanda se apercebeu, que o marido estava totalmente bêbado, incapacitado para dirigir. O próprio Alexandre compreendeu o problema, parou o carro, e pediram-me para eu dirigir... Euuuuuu,?  naquele estado ? Bem, pensei que talvez fosse capaz, e sentei-me ao volante, apenas com uma idéia fixa na cabeça... ir devagar, e nos semáforos vermelhos, tinha que parar. E lá viemos nós, o Alexandre passou para trás e adormeceu logo, enquanto que eu tinha que fechar um olho, para ver melhor.
A certa altura, vejo uma luz vermelha, e eu sabia que vermelho é para parar, até que mude para verde. Ali parei, no meio da estrada, á espera que os semáforos mudassem de cor, mas achei a demora mais longa do que o habitual.
Eu ouvi buzinar atrás de mim, mas fiquei calmo, apenas pensando... a luz há de mudar! ...
Não sei quanto tempo ali estive, então a  Fernanda perguntou-me porque tinha parado, eu respondi: estou á espera que as luzes passem ao verde, então ela respondeu: mas aquilo é apenas um anúncio da farmácia, com luzes vermelhas.!
Desculpei-me e avancei. Ninguém me pergunte por onde passei, que não me lembro, mas felizmente não houve acidente nenhum, e estacionei o carro (um Ford Torino americano com uma frente muito grande) próximo da casa deles, atrás de uma igreja.
Fiquei feliz de ter conseguido esta façanha, mas a história não acaba aqui. O Alexandre tinha adormecido e não queria sair do carro. A Fernanda pediu-me ajuda, e lá o conseguimos tirar. Depois o ajudei a subir as escadas, (eles moravam num 1º andar)
Coitado do Alexandre ele não se agüentava em pé e fui eu que o despi, para se deitar, mas nesse momento ele disse que estava mal disposto e queria vomitar.!
Sem perder tempo, levei-o para o banheiro, e mal entramos ele abriu as guelas, e lá vai disto, vomitou por todos os lados, antes de conseguir chegar ao vaso sanitário.
A Fernanda nem quis entrar para não ver aquele triste espetáculo. É verdade que eu tinha bebido bem, mas conseguia ter a noção do que estava fazendo.
Quando o estomago do Alexandre ficou vazio, eu sozinho, lavei-o todo e tornei a levá-lo para o quarto onde a mulher se ocupou dele. Entretanto agarrei um balde com água e limpei e lavei o banheiro todo  apanhando toda aquela porcaria que ele tinha vomitado. O banheiro ficou impecável, bem limpinho e desinfetado.
Quando eu ia a sair, a Fernanda  pediu-me se eu podia ir buscar as compras, ao carro. Mais uma vez aceitei, e lá fui, mas quando, depois de abrir a bagageira agarrei nas sacolas de papel cheias das compras, a umidade dos yogurtes tinha molhado  o  papel, que facilmente se rompeu e as compras caíram todas no chão, ficando eu apenas com as sacolas todas rotas sem fundos, nas mãos.
Apanhei o que pude, mas lembro-me de dar chutes nas embalagens dos yogurtes pois considerei ser eles os responsáveis do que estava a acontecer... claro que essas embalagens rebentaram todas com o meu gesto. Depois de entregar as compras, ou melhor, o que se salvou dos meus pontapés, fui-me embora para minha casa, que distanciava talvez 10 minutos a andar.
Quando lá cheguei tinha fome, mas apenas quis comer sopa, e mesmo assim teve que ser com os dois olhos fechados, pois as luzes, cada vez me incomodavam mais. Seguidamente fui-me deitar, mas tive que me segurar com muita força á cama, porque o teto do quarto, não parava de rodar numa velocidade louca.
Na manhã seguinte quando acordei, estava com uma terrível dor de cabeça, mas mesmo assim comecei a relembrar tudo que se tinha passado no dia anterior. Fiquei deslumbrado comigo mesmo, eu, que o simples fato de pensar na palavra vomitar, me dá certas voltas no estômago, como foi que consegui limpar toda aquela porcaria na casa do Alexandre?
Já lá vão 26 anos que isto aconteceu, e desde esse dia, não consigo beber mais do que “uma certa conta”  Apenas bebo durante as refeições, e somente  vinho tinto, embora por vezes, um branquinho também me satisfaça...!!!
 
Fernando Santos 
(16-11-2002)
 
 
 
by neusa - janeiro/2003
 
 
 
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