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Nos tempos
modernos de hoje, quando um bebe nasce,
vai-se logo habituando a todas as tecnologias
modernas que existem, e vai crescendo neste
ambiente, sem sequer pensar como apareceu toda
esta evolução. Hoje um computador é
considerado um brinquedo para muitos, mesmo
antes de aprenderem a ler e escrever.
Recordo-me que quando apareceu a televisão em
Portugal, certas pessoas diziam que era
“bruxedo”. A mim explicaram-me que era
como um rádio, mas que tinha imagem.
Fiquei
sem compreender o que era, até que um dia, uma
das minhas irmãs, deu-me dinheiro, e
mandou-me comprar 2 bolos, (um para mim, e
outro para ela) num café-pastelaria, que
ficava a uma certa distância da nossa casa
(cerca de 7 minutos a andar) Foi aí nesse
estabelecimento que eu vi pela primeira vez
uma televisão, com imagens a preto e branco,
mas fiquei de tal modo impressionado, que já
não saí dali.
Eu estava completamente
hipnotizado, olhando imagens que nunca pensei
ser possível de ver. Penso que era balé clássico,
pois via sempre uma bailarina a dançar em
bicos de pés, ( Se calhar, ela não queria
fazer barulho, para não acordar quem
estivesse dormindo) .
Não me lembro quanto
tempo ali fiquei, mas recordo-me que deve de
ter sido mais de 2 horas, porque a minha mãe,
e a minha irmã, andavam preocupadas á minha
procura, e quando me encontram, eu estava cá
fora, mas olhando sempre através de uma
janela, para a televisão, e sem me aperceber,
tinha comido os dois bolos. Claro que, com o
decorrer dos tempos, fui-me habituando a ver as
imagens e deixei de me impressionar.
Entretanto comecei também a assistir a filmes
infantis quando me levavam no cinema. Para
poder entrar sem ser acompanhado por adultos,
tinha que ter a idade menina de 12 anos, e
ver filmes para essa categoria de idades.
Recordo-me de ter pedido aos meus pais como
prenda do
meu 12º aniversário que me
oferecessem um bilhete para entrar sozinho no
cinema. Eles aceitaram e num sábado á noite
fui assistir a um filme cujo título era
“Abbot, Costello e a Múmia”.
Eu já me
considerava um jovem adulto, mas na verdade
era muito ingênuo. (Ainda hoje sou em certos
domínios) Aquilo era um filme cômico, mas
para mim foi um filme de terror, ainda por
cima, eu pensava que todos aqueles personagens
eram reais, e se encontravam por detrás da
tela. Numa das cenas, a múmia, saiu dum sarcófago
e de braços abertos caminhava em direção
dos espectadores... que arrepios me deram,
pensando que ela vinha ter comigo...
Quando o
filme acabou, eu fui para casa, mas como era
noite cerrada, eu olhava para todos os lados,
convencido que a múmia podia estar por ali.
Eu morava num prédio muito grande e largo
conhecido por “prédios do Viola” que
tinha várias entradas e para chegar ao meu
apartamento teria de passar por um arco muito
grande que fazia parte do prédio que, por
sua vez, dava acesso à porta principal. O
problema é que nessa zona do arco, estava
muito escuro, não havia iluminação adequada.
Então o medo apoderou-se de mim (estaria
ali a múmia ?) e não consegui atravessar o
arco.
Desloquei-me então até próximo de um
outro prédio e fiquei a espera que alguém
se dirigisse para o arco para, disfarçadamente,
o acompanhar. Tive muita sorte porque
passados alguns minutos eu vi um vizinho que
se dirigia para lá. Rapidamente coloquei-me
a seu lado e lá atravessei aquele maldito
arco chegando, finalmente, a casa, onde a minha
mãe me esperava. Ela perguntou-me se eu tinha
gostado do filme mas ao dizer isto notei que
se aproximou de mim, cheirando-me... exatamente, foi isso mesmo que aconteceu, com
12 anos não se tem idade para usar fraldas, e
o que tinha que acontecer, aconteceu... foi
mesmo nas cuecas, que repassou para as calças,
e como não era muito sólido... já estava a
escorrer para os sapatos...!!!
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