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Uma das grandes riquezas culturais de um país,
é ter a diversidade dentro da unidade.
Explicando melhor, isto quer dizer que numa
unidade (país) existem diversas formas de
expressão (diversidade). Adoro quando recebo
no meu correio eletrônico, anedotas de
Mineirins, Cariocas, Paulistas (eu te inteindo...rs)
etc. Em Portugal, mesmo sendo um pequeno país,
também existem estas diferenças no falar,
embora a grafia, seja completamente idêntica.
Fazendo parte integrante do país, os Açores
cujo arquipélago se encontra
em pleno Oceano Atlântico, fazendo um
vértice imaginário, naquilo que se
convencionou chamar
o triângulo das Bermudas, é talvez a
região, onde se nota o maior contraste lingüístico.
Para ajudar mais ainda estas diferenças,
existe o fenômeno da imigração, onde este
vosso narrador se inclui. Chegando ao país de
acolhimento, e devido á falta de contacto
regular com a língua maternal, as diferenças
são ainda mais notórias, uma vez que
adaptamos certos termos estrangeiros, á língua
que aprendemos nos nossos países de origem.
Esta história embora seja curta, reflete
plenamente o que pretendo demonstrar. Certa
vez desloquei-me a uma peixaria (gosto muito
de peixe para refeição) para comprar certos
mantimentos retirados ao mar. É lógico que
numa peixaria, o cheiro ambiente, não é dos
mais agradáveis, especialmente no verão, mas
o prazer de comer um bom peixinho, bem
cozinhado, ultrapassa este mínimo problema.
Para se escolher o peixe que se quer, é
normal ter de se mexer com as mãos, e depois
da nossa escolha feita, enquanto um empregado
amanhava e limpava o que mais tarde na minha
casa se transformaria num delicioso manjar, eu
fui ao banheiro lavar as mãos. Quando saí,
estava um açoriano (termo empregado para
definir os portugueses originários dos Açores)
na frente da porta do banheiro e que me
perguntou: “está bazía ?” Eu respondi:
“está sim, pode entrar” ele retorquiu:
“então se está bazía, não posso
entrar”... Aí, eu fiquei sem compreender o
que ele
queria dizer, mas por sorte, um outro senhor
que estava assistindo ao nosso diálogo,
decidiu intervir, e explicou, ou melhor
traduziu... Foi assim: Em certas zonas do
território português, quando se fala, há
quem troque o “V” pelo “B” , portanto
quando ele me perguntou se “está bazía”
eu compreendi “está vazia” por isso lhe
indiquei que podia entrar, mas perante a
discordância dele afirmar que se “estava
vazia” não podia entrar, fiquei muito
confuso. Afinal ele apenas empregou um termo
inglês que se escreve “busy” mas
pronuncia-se “bizi” e significa
“ocupado” . Para resumir ele
perguntou-me se estava ocupado, e perante a
minha resposta afirmativa, era lógico que ele
não podia entrar. Tudo isto seria evitado se
entre compatriotas falássemos sempre a nossa
própria língua...!!!
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