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Eram
4 hs de uma tranqüila madrugada da primavera
de 1999. Estava em serviço(sou policial
militar) e, até àquela hora, tudo estava
calmo. Repentinamente, quebrando o silêncio
da noite,
uma viatura da minha equipe pediu
apoio. Estavam em uma estrada logo na
saída de Sorocaba. Essa estrada, bastante
irregular,
tinha uma descida íngreme e logo após,
uma curva em " S ".
Bem
nesse "S " havia uma ponte sob a
qual passa o Rio Sorocaba. Neste ponto ele é
bastante profundo e seu
leito tem
uns 6 metros de largura.
A viatura estava patrulhando a região quando os colegas
notaram marcas de pneus na pista.
Notando o mato amassado ao lado do
acostamento, eles resolveram diminuir a
velocidade pois a situação não era normal.
Avistaram a ponta do baú de um caminhão que,
certamente,
acabara de cair no rio.
Parando
de imediato, verificaram que a cabine estava
quase toda submersa no rio. Foi aí que
pediram apoio.
Desceram
segurando-se como podiam,
agarrados na carroceria do caminhão,
preocupados com o motorista pois na área não
havia sinal de que o mesmo tivesse saído. Ao
alcançarem
a cabine perceberam que a situação
era bem pior do que imaginavam. Dentro dela,
puderam ver uma família inteira em desespero. Embora os vidros da cabine
estivessem
todos inteiros e fechados
ela já estava quase toda ocupada pela
água. Só sobrava um minúsculo espaço para
a mulher, que tinha aproximadamente 35 anos, e
duas crianças, aparentando 6 anos,
respirarem.
Foi nesse momento crítico que
meu parceiro, eu
e mais outra guarnição chegamos ao
local.
Com
poucos recursos materiais para àquela emergência
e tendo que lutar contra o tempo, eles
conseguiram arranjar uma pedra e quebraram o
vidro da porta do passageiro. Fazendo uma
corrente humana
começamos a retirar as crianças e a
mulher da cabine do caminhão.
Infelizmente
não tivemos tempo de salvar o motorista que
morreu afogado dentro da cabine.
O
caminhão era de um frigorífico de outro
estado e, como a viagem era longa, o motorista
resolveu trazer toda a família junto na
viagem, para ter junto de si a família. Era o
pai das crianças.
Vale
ressaltar que
por minutos
todos não morreram afogados. Se não
fosse a coragem da primeira guarnição quando
entraram no rio sem cordas e sem equipamento
algum para salvar pessoas,
três vidas teriam sido perdidas.
Só
depois do salvamento os bombeiros chegaram
ao local e lhes restou a triste
missão de retirar o corpo do
motorista.
Esse
foi um dia que,
apesar de eu não ter participado
ativamente na ocorrência, me senti de bem com
a vida. Nem sempre tudo tem o desfecho que
gostaríamos que tivesse e seria muito melhor
se pudéssemos ter salvado a família toda. Não
foi possível, apesar de todos os esforços.
Mas ter salvado uma mulher e duas crianças
que, sem a presteza e o desprendimento de toda
uma equipe, quatro vidas poderiam ter sido
perdidas.
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