|
É
sábado, o dia morre dando passagem para a
entrada da noite. No céu começam a surgir as
primeiras estrelas, a lua cheia cai sobre a
cidade como um sorriso.
Para
quem está com o coração livre, sem nenhuma
espécie de dor, muito menos, repleto de uma
enorme angustia, ansiedade e saudades sem fim,
é um espetáculo lindo,só podendo ser re-
tratado através dos pincéis e das mãos mágicas
de pintores, que com suas aquarelas, fixam na
tela, o reflexo dourado da lua sobre o mar.
Lindo! Um espetáculo magnífico, divino!
Mas
meus olhos, não enxergam essa beleza com
muita nitidez estão embaçados pelas lágrimas
que teimam em descer,gotinhas que caem no meu
rosto, no seu silencio, querendo exprimir a
grande falta, que estou sentindo de você.
A
saudade que oprime o peito. Ah, Deus é uma
dor tão intensa como é difícil, vivermos
longe daqueles a quem tanto amamos. Ao longe,
ouço uma música, a voz do cantor é
conhecida, sim:
Emilio Santiago, cantando Aquarela do
Brasil...fico imaginando casais dançando,
trocando juras de amor sob o luar.
Penso
em você, meu filho...onde estarás agora? O
que você está fazendo? Fecho os olhos , e
embalada pela música viajo, vou para perto de
você, e te vejo, deitado no escuro, com o
radiofonia nos ouvidos, fingindo que está
ouvindo alguma música, mas seus olhos falam o
que se passa no seu coração, na sua
mente...Você também está pensando que está
aqui conosco, na sua cidade, com sua
namoradinha a Marcela através dos seus olhos
posso penetrar na sua alma
e sentir toda a angústia que está
dentro de você.
As
saudades de casa, do seu quarto, da sua coleção
de chaveiros, de miniaturas de carros de fórmula
um,e principalmente à vontade de estar abraçado
a ela nessa noite fria de sábado.
É
uma noite de Sábado, não importa se no
Brasil, ou no exterior, mas é uma noite de Sábado...Aquele
dia especial em
que sentimos vontade de sair, de nos
distrairmos, de esquecer embora por poucas
horas, as nossas responsabilidades, os nos sos
problemas, nossos compromissos com o relógio...
Mas
como sair, ver e encontrar gente? Pessoas que
logo lhe fariam voltar à realidade, rostos
estranhos, simpáticos até...mas nos olhos as
mesmas interrogações, sozinho? Como vai sua
família, sua namorada, tem tido noticias
dela?... e ai você volta seus olhos para o céu
e contempla as estrelas, ao longe, bem
longe...e você também sente o cair daquela
gotinha escorrendo pelo seu rosto, chegando ao
seu peito como que a lembra-lo, estamos longe,
amigo,muito longe...mas não esta
mos sozinhos. Como você se questiona
silenciosamente.
Não
filho, não estamos sozinhos, estamos juntos,
unidos pelo amor infinito de nossos corações,
de nossas mentes como que numa mesma sintonia,
porque ao primeiro toque do telefone, que
havia fica mudo, esquecido em cima da estante,
antes mesmo de dizer alo! Eu já sabia que era
você...e que ia me dizer, sabe mãe, eu
estava aqui sozinho deitado no silencio
contemplando o céu e ouvindo Emilio Santiago,
cantando
Aquarela do Brasil e me deu
saudades...e porque é sábado!
|
|
|